No Natal ganhei um belíssimo relógio Swatch de presente. Já
tive diversos, sempre do mesmo modelo básico, em acabamentos e cores
diferentes. É uma peça clássica no pulso
de um designer. Pois não é que ele foi “aperfeiçoado” e agora vem com especial coletor de suor
na pulseira!![]() |
| Detalhe da pulseira |
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| Olha o calor saindo! |
Sempre me perguntei por que nós designers temos que “contribuir”
de forma errada para o aperfeiçoamento dos produtos que desenhamos ou
redesenhamos. Como exemplo, temos o novo
porta-filtros de papel de café da Melitta. Ele sempre teve um design elegante e adequado,
feito por designers brasileiros, que foram premiados há alguns anos atrás no
Premio Design do MCB. Esta nova versão
tem uma “janela” na parte inferior que a publicidade declara ser para se “ver o
café passando”! Ora sabemos que café deve manter-se o mais aquecido possível ao
entrar na garrafa térmica. Com esta janela agora temos como ver, mas também
como esfriar o café durante o processo de armazená-lo!!! Na publicidade vê-se o calor indo, indo,
indo!
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| Gol Geração V |
Mesmo em grandes montadoras há situações semelhantes. Foi lançado no ano passado um novo modelo, geração VI, do
automóvel Gol da Volkswagen, grande sucesso no mercado brasileiro. Neste modelo redesenhado temos agora menor
espaço no banco traseiro, um porta malas menor e um vidro traseiro também com
menor visibilidade devido às colunas e sua inclinação. Sabemos que esses eram
pontos fracos do Gol em todos modelos anteriores, mas precisava piorar???
Quando se observa outro modelo da empresa o Fox, fica evidente que eles sabem
como resolver estes problemas. Então por que cargas d’água os designers, e
também os executivos da empresa, não adotam o principio de que aquelas soluções
de espaço e dimensionamento são universais?
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| Gol Geração VI |
Outro exemplo: a nova geração de caixas automáticos do Banco
Itaú, um banco que prima por utilizar o design como característica de sua
atuação no mercado. São os modelos que
estão sendo instalados nas antigas agencias do Unibanco, ao serem reformadas. A
começar pela cor, que antes era uma combinação harmoniosa de cinzas e azuis, ela foi substituída por um tom de prata fosco e texturizado. Todos os terminais
ficam engordurados com o uso e sujos quase que instantaneamente, pedindo uma
manutenção diária impossível de ser feita. Alem disso mudaram o ângulo das telas,
agora maiores, que causam uma paralaxe dificultando a leitura e a digitação por
parte dos clientes. O ângulo anterior era dirigido aos olhos do usuário, os
atuais são dirigidos ao peito do usuário, o que dificulta o “touch screen”. Os
novos modelos não possuem mais uma superfície para apoio de documentos, cartões de
credito ou recibos emitidos pela maquina. Além disso tiveram os locais de colocação de cartões
e retirada de dinheiro totalmente alterados, em relação aos anteriores, o que
sempre confunde os clientes, como pode ser observado em cinco minutos de
observação in loco!
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| Ângulos de tela diferentes? |
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| Bonito ou exagerado nos defeitos??? |
O design e seus praticantes têm uma faceta um pouco
questionável, onde as modificações tem que ser introduzidas por razões de
“mercado” ou de “tendências”. A necessidade de redesenho com o objetivo de dar
sobrevida a modelos ou produtos, nos faz sacrificar o que se objetiva que é o
valor agregado intangível do design na nossa cultura material. Design “demais”
pode na verdade, e em nome da “personalidade”, chegar ao ponto de retirar a
qualidade e pecar pelo excesso, alterando forma e função, negando assim sua
própria essência.
Em nossa sociedade industrial globalizada o design parece
estar ressuscitando o velho Styling e sua rápida obsolescência, que aparentemente abandonamos nos anos 60
do século passado. Será essa a pedra de toque deste novo milênio.
Espero sinceramente que não!








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